11
mai
09

Fragmentos (I)

O sentimento se esvai e nasce raivas cinzentas da terra, ground, chão. Se esmigalha pelo ar cualhando seu escuro no azul trepido, polui de partículas gordas fat, de carbono vivo, de braza negra – fogo que arde sem se ver.

No colo o nó, o cu, a seringa de veneno despida para somente eu te ver lindo, como a cara da Gisele Bunchen na CARAS, como minha unha enquanto a corto na frente da tevê vendo,  meio úmida ainda do vapor do banheiro que sai pelo corredor e se soma ao vento fresco que me bate dizendo:  “enfim você em casa em um fim de tarde bonito”.

*

Te levo para casa e o que recebo é somente broncas, estrondos em meus grunhidos internos de felicidade animal, estou aqui, mas me agarro arranho arranco as unhas contra os troncos da árvore da rua, e trepo e tremo, tremores selvagens de sedenta. Estou aglomerada de dores pelos meus cabelos e desfiam novas possibilidades para o próximo turno próspero. Não a encontro e fico triste a sentar cotidianamente na calçada chuvosa e molhada minha bunda e meu pé, começo a enfim me enxarcar por inteiro de …

*

Não tenho mais paciência para ela, ela irritadiça e birrenta sai quebrando a porta, cacos de madeira pontudas saem como se a porta sempre fosse feita inteira de espinhos de madeira escondidos, sua verdadeira realidade. Fico parado olhando-as, estático enquanto ela voa pelo corredor, pela vida, pelo meu quarto enquanto enfim durmo. Outro dia.

*

Não há desespero somente cheiro de sangue e violência no ar, quero s-a-n-g-u-e. O visco do osso, o vicioso mel de vissicitudes candentes de beloso caramelo afructuosamente cor cereja.

*

Política? Somente no esvoaçar dos meus cabelos sobre a grande construção, ponto. Não há mais nada para além da ponte, senão seu porta-retrato. E se houvesse um mundo lá, há, mas principalmente o mais importante de pensarmos é que realmente não há. O chão novamente sempre volta, vai e sempre quando volta cai sobre nossas cabeças. Sempre dói mas sempre é também enfim uma esperança duramente altiva de que podemos continuar a caminhar com nossos pés, não que eles não vão sangrar, não que não vamos cair, não que não vamos, não que não vamos depois de todas estas coisas se ajoelhar já sem joelhos e desistir, mas tudo, tudo isso não importa, só reforça: a vida é feita literalmente de sangue e mesmo que finito ele é que é invencível.

Sangue grosso e vermelho que tão violentamente feminina se liquefaz em…sangue.

Pois ele não é somente sugo do homem, ele é fruto ducto de uma fraqueza devastora, sua pureza vil vem de ser tão violentamente fraca, mas também faca esfacerada em milhas de lâminas invisíveis que corta ininterruptamente meu coração e me deixa VIVO.


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